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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Cabelo curto = melhores profissionais? Fuck me...

O álcool é útil para várias coisas.

Marinar costeletas, desinfectar cortes em sítios esquisitos, assar chouriços e tem também o condão de fazer com que as pessoas abram as goelas e verbalizem coisas que de outra forma talvez não o fizessem. Excepto eu, que basicamente digo as maiores barbaridades, sóbrio ou menos sóbrio.

Este foi o diálogo do dia.

 

- Se eu fosse responsável da tua empresa, não trabalhavas lá com esse cabelo...

- Não me digas, sentes-te intimidado? Podes sempre largar o pente 0 à presidiário e mudar...

- Simplesmente há que manter as aparências.

- Boa. Então não só estás alcoolizado, como és fútil ao ponto de pensar que produtividade e profissionalismo têm protocolo com a Isabel Queiroz do Vale.

- Não foi isso que eu disse.

- Claro que não. Deixa-me então elucidar-te de uma forma muito sucinta. Sabes o teu irmão? Aquele rapaz magricelas que tem um cabelo que lhe dá pelas costas e que teve uma banda de trash metal uns bons anos atrás? O mesmo que está nos Estados Unidos no MIT? Será que ele já cortou o cabelo para manter as aparências? Dou-te um conselho de borla. Senta-te.

- Sento-me?

- Sim, senta-te e relaxa. O inferno ainda tem de congelar antes que eu ceda a pontos de vista como o teu sobre o meu cabelo. Mas se um dia me quiseres fazer uma proposta milionária, já sabes. Cabelo incluído.

 

A nossa sociedade é fútil.

A nossa sociedade é hipócrita.

E quem não joga pelas regras da dita cuja, é atropelado por um rolo compressor. Uma coisa é teres de vestir uma indumentária (porque há actividades que assim o exigem), outra é mudar o que somos para ir de encontro a um formato pré definido.

Mas houve algo que fez todo o sentido no argumento deste fulano. Ficou explicado o porquê dos nossos governantes não fazerem um car*lho. Falta de densidade capilar. Devíamos considerar o Fernando Ribeiro dos Moonspell para presidente desta chafarica.

 

Meco, 6 jovens mortos. Arquivado. Foi apenas um acidente.

Bem, o meu conceito de acidente então tem muito que se lhe diga.

Afinal de contas, quando se inicia uma investigação com 60 dias de atraso, até o afundar do Titanic foi uma tentativa de brincar aos submarinos porque o icebergue já estava a caminho de Bora Bora.

Falando em bom português...Acidente? Não me f*dam...

Justiça à moda portuguesa no seu melhor...

Eu sobrevivo na boa sem o meu telemóvel. AGORA DEVOLVAM-MO, PORRA!!!

Toda a gente sabe do meu conflito armado com telemóveis.

Necessito dele mas odeio-o de morte. Odeio-o ainda mais quando o gajo decide morrer. Bem, não foi bem uma morte. Foi tipo ser atropelado por uma manada de rinocerontes em fúria em pleno êxtase de cio e ficar ligado ao ventilador às postas.

Resumindo? O ecrã touch já não é tão touch quanto isso. E um telemóvel touch quando deixa de ser touch é tão útil quanto um homem sem um pénis. Ocupa espaço.

Já lá vai um tempito que deixei o bicho (o telemóvel, não o bicho propriamente dito. Esse anda comigo para todo o lado) na assistência. Hoje decidi lá dar um salto.

- Oi. Venho ver se o meu telemóvel já ressuscitou ou se vocês lhe deram a extrema unção...

- Excelente questão...

- É, não é? Pois, mas o que me interessava mesmo era uma resposta, não o salientar da minha parábola bíblica. No que ficamos, habemus telemóbili ou num habemus ponta dum cornu?

- Por enquanto, num habemos nada. Mas por norma, estas reparações demoram cerca de 30 dias.

- 30 dias para trazer um aparelho do reino dos mortos? Não entendo, caraças. Existem comprimidos que demoram 30 minutos a dar vida a coisas bem mais mortas que o meu telemóvel.

- Pois. Já consideraste um equipamento novo? Sabes que o mundo da tecnologia está constantemente a evoluir...

- Eu saber, sei. Não me estava era a apetecer gastar dinheiro. Sim, basicamente é só isso.

Os 30 minutos seguintes foram passados a ver telemóveis. Todos com os seus pontos fortes, pontos fracos, designs saídos da Moda Lisboa, intensidades várias de vibração para utilidades alternativas para o sexo feminino, etc.

- Então, o que achas?

- Sinceramente? Acho inacreditável teres 300 alternativas diferentes cuja função principal não é de todo a sua principal característica. Mas lá está, vivemos num mundo tecnológico em que a simples chamada telefónica já não é a principal razão para ter um telefone, certo?

- Hã...não é bem assim...

- Ouve, acabaste de me mostrar um equipamento que acede a 300 redes sociais, descarrega 98754435 aplicações da net, tem um cartão de memória que alberga mais pornografia do que aquela que existe actualmente disponível, uma câmara XPTO que tira selfies com qualidade de National Geographic...portanto, diz-me que estou errado...

- Hã...Pois, o teu telemóvel deve estar pronto daqui por umas semanas. Eu depois ligo-te a avisar.

- És o meu guru dos telemóveis. See ya.

Ponto da situação. Um equipamento em reparação, um telemóvel antigo super viciado em utilização e muita transpiração (não por causa do telemóvel mas simplesmente porque está um calor dos diabos). Raios parta a tecnologia.

Murphy

Existem três tipos de Murphy.

O Eddie Murphy, a Lei de Murphy e a Lei de Murphy invertida.

O Eddie Murphy nos anos 80 era um gajo divertido. Vejam "Um príncipe em Nova Iorque" e confirmem. A Lei de Murphy é uma porra. Se existe a ínfima probabilidade de algo correr mal, é certo e sabido que inevitavelmente irá mesmo correr mal. A Lei de Murphy invertida é uma paródia absoluta. Se somos bafejados por algo positivo na nossa vida, é curioso mas atrás desse positivo vem mais uma carrada de coisas inesperadas e extraordinariamente positivas. Quase apetece dizer que enjoa de tanto positivismo ao ponto de se vomitar com um sorriso.

Estou a atravessar uma fase de Murphy invertida. Quase me arrisco a dizer que se for bater à porta da vizinha do lado pedir um morteiro emprestado, a velha é bem capaz de o ter ali arrumado ao lado da máquina de costura.

Isto para dizer que estou bem e recomendo-me.

Os amigos de sempre estão onde deviam.

A justiça divina encarregou-se de uns quantos desejos nunca verbalizados.

E para terminar em beleza, as minhas mais valias profissionais têm neste momento mais procura que as mamas da Cláudia Vieira no Google.

Melhor que isto, só mesmo se não me tivesse esquecido de comprar tabaco hoje.

 

Ah, a beleza do universo...e a forma como ele conspira para atar pontas soltas...

Embora pouco dado a espiritualismos, ocasionalmente acredito em dar e receber.

Tipo, se dás uma lambada, é provável que leves com uma galheta de um dançarino de salsa. Se um daltónico te insulta, é provável que ele vá de encontro a um semáforo e fique todo roxo.

Meses atrás, alguém teve uma atitude que considerei não só infantil como deveras condenável. Podia tê-lo atropelado, mas gosto demasiado do chassi do meu carro. Podia ter pago na mesma moeda mas por norma os idiotas arrastam-te para o terreno deles e ganham por experiência. Logo, aguardei serenamente que o universo acertasse ponteiros. E que me colocasse este idiota à frente. O que sucedeu hoje, de forma muito serena.

Existe uma sensação muito deselegante de estender a mão para cumprimentar alguém e ficar-se pendurado. Deve ser ainda mais deselegante ter a cara de pau de estender a mão para cumprimentar alguém de quem falámos pelos costas porque os tomatitos devem ter o tamanho de duas azeitonas. Portanto, hoje fui o rei da deselegância. Não só deixei a pessoa de mão estendida como o que lhe disse e a forma como o disse deve ter feito azeite dentro daquelas calças. Ou não. Está por apurar a existência das ditas azeitonas.

Rancor? Não. Já passei dessa fase. Simplesmente não esqueço. E não mando dizer por ninguém. O tempo da primária já passou.

Há dias maus e dias mesmo mesmo maus. E depois há aqueles que sendo péssimos, vão ficar para sempre gravados nos anais da história. Porque foi mesmo uma enrabadela a seco. Sem vaselina...

Há dias em que um gajo não deve sair da cama.

Levanta-se, bate com a tola na cómoda, o despertador está na Rádio Amália, o cabelo parece uma afro que desafia a aerodinâmica dos carros alemães, a barba cerrada de tal maneira que só lá vai com machado.

Entra-se no carro e ele não pega. Abre-se o capot e temos lá um urso polar a dormir em cima do radiador. Apanha-se o autocarro (claro, ninguém é assim tão estúpido ao ponto de escorraçar um urso polar de dentro do capot do carro, coitado do bicho) e leva-se com uma velha e a sua história de vida (que surpreendentemente, remonta ao sec. IV numa aldeia viking) o caminho inteiro. Chega-se ao trabalho e um sacana sacou da última cápsula cinco segundos antes. Trabalha-se que nem um mouro. Almoça-se mal e porcamente.  Por alguma razão estranha, o Spotify só apanha a Rádio Amália.

E depois um gajo chega a casa e vê o jogo Brasil-Alemanha.

Fonix. Comparado com aqueles gajos, tive o melhor dia da minha vida.

Não há memória de dia tão negro há mais de 90 anos no futebol brasileiro. Por momentos, quase acreditei que o Postiga é um avançado de calibre mundial.

 

Isto é segredo...tirando que amanhã já meio mundo sabe porque tenho uma boca de broche e vou tentar fazer-te a folha...

A sabedoria que os cabelos brancos trazem é algo inestimável.

Aprende-se a lidar com conforto ao avançar dos anos, a chegada do charme masculino à tonelada, a borrifarmo-nos para coisas que não interessam nem ao menino Jesus e last but not least, a distinguir a léguas quando as pessoas recorrem a ti apenas com o intuito de ter envolver em assuntos dos quais não desejas fazer parte.

Nunca gostei de pessoas cujo único mote na vida é meterem o bedelho onde não devem. E que não satisfeitas com isso, metem toda a gente ao redor dentro de assuntos que não lhes competem.

Ontem passei duas horas a ouvir uma pessoa falar. Posso dizer que em mais de uma década, ontem compensou por todos os anos passados. Até podia ter sido uma conversa agradável. Sobre o tempo, a economia, se devia ou não comprar acções do BES, mamas boas, enfim. Podia mas não foi. E simplesmente porque a conversa começou com um simples "vou falar contigo mas isto não pode sair daqui".

Em circunstâncias normais, essa frase para mim tem um enorme significado. Se a pessoa vai partilhar algo sobre ela mesma, o assunto nasce e morre ali. É uma questão de confiança. Agora quando a pessoa vai dissecar a vida alheia, a coisa muda de figura. É simplesmente de mau tom, isto para utilizar uma expressão suave.

Tal como disse, ouvi duas horas de monólogo em perfeito silêncio. Não me manifestei, não opinei, nada. Desde o momento que me sentei naquele café, tive a nítida sensação que qualquer coisa que dissesse, iria rebentar-me na cara a muito curto prazo.

Bastaram pouco mais de 12 horas. Foi o tempo que demorou à pessoa que foi tópico do monólogo de ontem me vir tirar satisfações. Logo eu, que não devo, não dou e não estou disponível para. Mas dei uma sugestão. Da pessoa ir ao café ( do qual sou cliente assíduo e estimado) e perguntar às pessoas que ambos conhecemos se eu estava com disposição de amena cavaqueira.

Basicamente, tentaram fazer de mim morteiro para atingir aqueles que estimo. Não recomendo. Eu até sou um gajo porreiro (quando quero). Não chateio ninguém (ocasionalmente).

Até ao dia em que deixo de ser um gajo porreiro e a incontinência verbal toma conta de mim. E eu não sou conhecido por ser uma pessoa ponderada ou moderada.

Amo-te...mas dói muito

Nunca gostei de cemitérios.

Há qualquer coisa no rever de pessoas queridas que já partiram que sempre me incomodou. Sabes isso. Afinal de contas, demorei 11 anos a visitar o teu marido. Tu partiste em Janeiro e até agora estive a reunir forças para te visitar.

Por muito que o diga, não estava preparado para a tua partida em Janeiro. E não estava preparado para te "rever" este Domingo.

É deveras doloroso olhar para uma campa com uma lápide onde repousa a tua foto. Traz demasiadas memórias.

Por um lado, já merecias que eu te tivesse visitado. E por isso, penitencio-me. Por outro, é um constante abrir de uma ferida mal cicatrizada.

Não foi perder um familiar. Foi a perda de uma segunda mãe. E isso deixa um vazio permanente. Mas a vida continua, tal como a viagem para Lisboa. Em lágrimas, mas continua.

 

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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